Gays e homens bi são maioria no crescimento de gonorreia e sífilis
69% dos casos de sífilis na Europa são entre homens que fazem sexo com homens
Relatórios do Centro Europeu de Controle de Doenças (ECDC) mostram níveis recordes de casos de infecções sexualmente transmissíveis (IST) no continente e evidenciam que gays e bissexuais são os mais afetados proporcionalmente em várias delas.
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Dados referentes a 2024 revelam que houve 45.577 casos confirmados de sífilis dentre os 29 Estados-Membros da União Europeia, uma taxa de 10,8 casos a cada 100 mil habitantes.
Entre 2015 e 2024, as taxas mais que dobraram e a infecção aparece seis vezes mais entre homens do que em mulheres. A faixa etária masculina mais atingida é a de 25 a 34 anos com 46 casos a cada 100 mil habitantes.
Ao todo, 69% dos casos foram relatados entre homens que fazem sexo com homens.
Este mesmo grupo - de homens que fazem sexo com homens - responde por 62% de todos os casos de gonorreia.
Na população masculina, a infecção subiu 7,9% enquanto que na feminina caiu 8,6%.
De 2015 a 2024, a taxa de notificação aumentou 303%.
A faixa etária mais afetada de mulheres é a de 20 a 24 anos (60,3% casos por 100 mil habitantes) e a de homens, a mesma da sífilis, 25 a 34 anos (145,5 casos por 100 mil habitantes).
Mesmo a clamídia, que historicamente afeta mais mulheres do que homens, aparece com taxa significativa dentre gays e bissexuais: 22% de todos os casos estão concentrados nesse grupo.
O relatório também fala do linfogranuloma venéreo - uma IST causada por um tipo específico de clamídia.
A transmissão se dá por sexo anal e possivelmente por práticas como fisting, uso de brinquedos sexuais ou administração de enema.
Quase todos os casos registrados em 2024 dessa IST foram em homens que fazem sexo com homens e 35% eram HIV positivos.
Mais de dois terços (73%) foram notificados em dois países: Espanha e Países Baixos.
O ECDC lembra que em janeiro forneceu orientações específicas sobre uso da Doxi-PEP, que é a estratégia de tomar o antibiótico doxiciclina após relação sexual desprotegida para evitar contágio de sífilis, gonorreia e clamídia.
O ECDC não recomenda uso generalizado da Doxi-PEP para gonorreia por causa dos altos níveis de resistência antimicrobiana e risco de acelerar o desenvolvimento de resistência, ou seja, quanto mais se usa o antibiótico, mais chances dele se tornar ineficaz futuramente.








