Aumentam casos de gonorreia e sífilis dentre gays na Europa
Relatório mostra incidência maior de ambas as infecções dentre homens que fazem sexo com homens
Último relatório sobre infecções sexualmente transmissíveis (IST) na Europa acendeu alerta nos órgãos de saúde do continente: cresceram os casos de transmissão dentre gays e bissexuais.
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O Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças (ECDC) destacou, em comunicado, que houve “um aumento preocupante de casos de sífilis, gonorreia e clamídia, indicando uma necessidade premente de melhorar prevenção, acesso a testes e tratamentos eficazes para enfrentar este desafio de saúde pública".
O relatório corresponde a 2022 e foi divulgado na última quinta-feira 7, segundo o jornal espanhol El País.
Todas as infecções estudadas aumentaram significativamente no último ano. A gonorreia aumentou 48%, a sífilis 34% e a clamídia 16%. Todas as três cresceram em todos os grupos, mas as duas primeiras são muito mais presentes em homens que fazem sexo com homens do que em heterossexuais. A clamídia cresceu mais dentre mulheres jovens.
"A resposta a este aumento substancial de casos de IST requer atenção urgente e esforços concentrados", disse a diretora do ECDC, Andrea Ammon.
Ela continua: "Os testes, o tratamento e a prevenção estão no centro de qualquer estratégia a longo prazo. Devemos dar prioridade à educação em saúde sexual, expandir o acesso a testes e tratamento e combater o estigma associado às ISTs. Promover o uso consistente de preservativos e incentivar o diálogo aberto sobre as ISTs podem ajudar a reduzir as taxas de transmissão."
Com dados recebidos de 28 países, o estudo confirmou 70.881 casos de gonorreia em 2022, aumento de 48% em relação ao ano anterior e de 59% face a 2018.
"É o número mais elevado registrado desde que a vigilância europeia das doenças sexualmente transmissíveis começou em 2009”, destaca o documento.
A gonorreia é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae e nos homens causa queimação ao urinar e corrimento amarelado no pênis. Diferentemente das mulheres, nos homens os casos assintomáticos são raros. O tratamento é com antibióticos.
Na média, houve 17,9 casos por 100 mil habitantes no continente. Irlanda, com índice de 75,3, Luxemburgo (73,6) e Dinamarca (66,9) lideram os casos de gonorreia, enquanto Romênia, Croácia e Bulgária não chegam a 1 caso por 100 mil habitantes.
A faixa etária mais afetada é a de 20 a 24 anos, tanto para homens quanto para mulheres. Ao todo, 60% dos casos foram diagnosticados em homens gays e bissexuais.
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum. Se não for tratada com antibióticos, evolui para formas muito graves e fatais.
Em 2022, foram notificados 35.391 casos confirmados nos 29 países que forneceram dados, 8,5 por 100 mil habitantes.
Isto representa aumento de 34% em relação a 2021 e de 41% em relação a 2018. As taxas foram oito vezes maiores nos homens do que nas mulheres e a principal faixa contaminada foi a de 25 a 34 anos.
Embora 74% dos casos tenham sido diagnosticados em gays e bissexuais, o relatório destaca que "2022 foi o primeiro dos últimos 10 com aumentos notáveis de sífilis dentre homens e mulheres heterossexuais".
Os países com maior incidência foram: Malta, com 24,4 casos por 100 mil habitantes, Luxemburgo (23,3) e Espanha e Irlanda (ambos com 16,6). Croácia, Lituânia e Eslovénia registraram menos de dois.
A clamídia é uma infecção causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e também é tratável com antibióticos. A doença afeta órgãos genitais, a região anal e a boca e causa dor ao urinar e ter relações sexuais, sangramento e corrimento.
É uma das ISTs mais comuns. 27 países notificaram ao ECDC um total de 216.508 casos em 2022 – 88 casos por 100.000 habitantes – 16% mais do que em 2021 e o número mais elevado desde o início dos registros.
"As taxas de notificação foram mais altas entre mulheres de 20 a 24 anos em 2022”, afirma o relatório.
É a doença com maiores diferenças entre os dados comunicados pelos países, sendo que alguns, como a Dinamarca, ultrapassam os 700 por 100 mil habitantes e outros, como a Roménia e a Grécia, abaixo de um.
"As diferenças nas políticas de testagem da clamídia, nas estratégias de detecção de casos e na notificação" são a causa desta disparidade, de acordo com o ECDC.
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