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Gay admite que inventou ataque homofóbico para esconder traição

Suposto caso de escrita de palavra com navalha no corpo mobilizou governo espanhol

Publicado em 13/09/2021
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Jovem admitiu que marcas foram feitas em encontro sexual. Foto: Depositphotos 

O jovem que alegou ter tido as nádegas riscadas a faca com insulto homofóbico admitiu à polícia que mentiu para encobrir traição amorosa. Os cortes foram consensuais.

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O caso do rapaz de 20 anos, que não teve nome revelado, mobilizou a Espanha e chegou a ter pronunciamento, pelo Twitter, do primeiro-ministro Pedro Sanchéz contra a violência que afeta gays.

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O homem alegava que ao chegar em casa, em um bairro central de Madri, no domingo 5, teria sido abordado e rendido por oito homens encapuzados. 

Eles o teriam xingado e escrito, com navalha, a palavra "bicha" em suas nádegas. Após insistência do namorado e de um amigo, o rapaz fez denúncia à polícia.

Mas os investigadores não conseguiram encontrar nenhum dado que corroborasse a história.

Nenhum vizinho do prédio viu nada de anormal, nenhuma câmera da vizinhança detectou movimentos suspeitos, o dono de uma loja que o jovem disse ter ido momentos antes não lembrava de tê-lo visto,

Na quarta-feira 8, então, a polícia solicitou novo depoimento do rapaz e ele mudou a versão.

Admitiu que a agressão foi consentida e que ocorreu na casa de um homem com quem teve um encontro sexual. A mentira foi inventada para que o namorado não soubesse da traição.

Reunião de emergência convocada pelo primeiro-ministro para tratar de violência contra LGBT no país foi mantida na sexta-feira 10. 

Manifestações nas ruas convocadas por ativistas LGBT motivada pela falsa denúncia também foram preservadas. 

Políticos e militantes alegaram que ainda que o caso tenha sido inventado, os números indicam que a violência contra LGBT na Espanha aumentam e que, portanto, é necessário se mobilizar.

Dados do Ministério do Interior mostram que no primeiro semestre de 2021 houve aumento de 9,3% de denúncias relacionadas a crimes de ódio em relação a 2019, ano que havia tido recorde de queixas desde 2014, quando os dados começaram a ser compilados.

O chefe da pasta, Fernando Grande-Marlaska, ficou em uma situação delicada com a denúncia inventada. Segundo a Agência Efe, políticos da oposição pediram sua demissão.

Quando soube do caso, o ministro acusou partidos de direita de ajudarem a promover a violência contra gays. Assim que a mentira foi descoberta, Grande-Marlaska foi acusado de politizar a denúncia.


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