Elke Maravilha tem história contada e averiguada em biografia
Audiobook de Chico Felitti, 'Mulher Maravilha' investigou informações dadas pela apresentadora
Um dos maiores ícones LGBT do Brasil, Elke Maravilha tem sua trajetória contada na biografia Mulher Maravilha.
Curta o Guia Gay São Paulo no Facebook
Em formato de audiobook, a obra é dividida em 11 episódios e de autoria do jornalista e escritor Chico Felitti. Ela está disponível na plataforma Storytel.
O projeto nasceu há 15 anos. Felitti procurou Elke para fazer entrevistas com ela para seu TCC, que nunca saiu.
A amizade entre ambos, no entanto, vingou e o jornalista colheu informações valiosas e curiosas sobre a diva.
Dois anos atrás, quando o Storytel chegou ao Brasil, Felitti foi convidado para fazer a primeira obra original da plataforma.
A partir daí, o autor passou a fazer checagem de inúmeras histórias que ouviu de Elke.
"Ela era muito boa contadora de causos. Sempre falava sobre o que queria. Quando parei para ouvir, vi que algumas histórias eram boas demais, que pareciam improváveis. Comecei a buscar provas e entrevistar pessoas", contou o jornalista ao Correio Braziliense.
Felitti, então, descobriu que Elke não nasceu em São Petersburgo, na Rússia, mas sim no sul da Alemanha.
"A mesma coisa aconteceu com a entrada dela na televisão. Ela sempre falou que atendeu o telefone um dia e era o produtor do Chacrinha. Consegui vários depoimentos de muita gente que falou que ela foi atrás desse emprego. Ela também atribuiu o período em que ficou sem documentação no Brasil à prisão na ditadura. Que ela tinha tido todos os documentos cassados. Porém, ela nunca havia pedido a renovação da cidadania brasileira, ela já estava sem pátria", completa.
À reportagem, o autor da biografia falou do ressentimento de Elke com a comunidade LGBT.
"Ela foi uma grande criadora de entradas e portas para a comunidade LGBT, que ela sempre advogou a favor. E essa foi uma das grandes tristezas dela no fim da vida, porque uma parte da militância a abandonou, começou a achar o discurso dela ofensivo e machista. Ela teve um período de grande tristeza, em que se sentiu desprivilegiada."
Modelo, atriz e apresentadora, Elke fez sucesso em filmes como Xica da Silva (1977), minisséries como Memórias de um Gigolô (1986) e como jurada do Cassino do Chacrinha (1982-1988). Ela chegou a ter seu próprio programa de entrevistas, o Programa Elke Maravilha, na década de 1990, pelo SBT.
Elke morreu, por falência múltipla de órgãos, aos 71 anos, em 2016.

