Bandeiras arco-íris não têm prazo para retornar ao Arouche
Enquanto flâmulas não retornam, há articulação para que maior point gay da cidade vire reduto francês
Por Marcio Claesen
Uma das iniciativas mais simples e menos custosas e, ao mesmo tempo, mais simbólicas que a Prefeitura de São Paulo já tomou em relação à comunidade LGBT infelizmente não progrediu.
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Em junho passado, para comemorar o Dia Mundial do Orgulho LGBT, celebrado no dia 28 daquele mês, a Coordenadoria de Políticas para LGBT da Prefeitura instalou diversas bandeiras arco-íris ao longo da Avenida Doutor Vieira de Carvalho e no Largo do Arouche, na República, região central da cidade e que mais concentra endereços LGBT não só em São Paulo como no Brasil todo.
O Guia Gay São Paulo foi o primeiro a noticiar, mas também foi o primeiro a divulgar, três meses depois, que as flâmulas foram retiradas das vias. À época, o órgão informou que as bandeiras instaladas não eram resistentes às intempéries e que, por ter decidido que elas ficariam de forma permanente no local, elas voltariam em material resistente, e em maior número (de sete passariam a 25).
Nos últimos dias da gestão Fernando Haddad (PT), o então coordenador Alessandro Melchior informou ao Guia Gay São Paulo que a instalação dependia da Subprefeitura da Sé.
No início de 2017, nossa reportagem entrou em contato com a Prefeitura Regional da Sé (novo nome da administração), que nada sabia sobre a questão (e também não se mobilizou para saber). Após dois meses de questionamentos de nossa reportagem, a coordenação LGBT informou que o assunto está parado no Gabinete do Prefeito e sem nenhuma previsão para que seja resolvido.
A demora na resposta se soma à vontade de o prefeito João Doria (PSDB) de transformar o Largo do Arouche em um boulevard francês. Um dos argumentos é a existência de um restaurante de cozinha francesa na área que possui 35 estabelecimentos LGBT. Quem tem maior representatividade no local afinal?
Nossa opinião: o Guia Gay São Paulo não é contra melhorias na região. Avanços em infraestrutura e atividades sociais devem ser feitos, mas com respeito ao público principal do local. Ao que parece, o prefeito João Doria (PSDB) não tem consciência sobre a importância deste espaço à nossa comunidade.



