Por Welton Trindade
A invasão da Venezuela pelos Estados Unidos e a captura do ditador Nicolás Maduro ocorridas no sábado 3 impactam também a comunidade LGBT do país sul-americano.
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Tanto a que vive no país quanto a que teve de se exilar para ter vida com um pouco mais de respeito e cidadania. É o caso do ativista LGBT Wendell Oviedo, gay, 33 anos e que atualmente mora em Nova York.
No que concerne ao fato dos EUA terem descumprido regras internacionais ao invadir a Venezuela para capturar Maduro, Wendell apresenta argumento para o qual ele pede reflexão.
"Tudo foi tentado antes! Várias eleições! Pressão internacional... Que outra forma havia para tirá-lo do poder? A pergunta é essa!", disse ao Guia Gay.
Sobre o que sente a respeito do fato histórico que vive o país dele, o ativista é direto.
"É um primeiro passo já que o governo não é só Maduro. Que ele pague por tudo o que fez, mas os outros ficaram no poder, mas mesmo assim é uma satisfação."
Satisfação, não alegria. A explicação vem das experiências pelas quais ele passou.
"Veja, já houve muitas decepções! Uma série de "agora vai" e de "não foi desta vez". Vai ter eleição, agora ele sai! Teve a eleição e nada mudou! Ah, houve um acordo, agora termina! Não terminou! O fato é: não sei o que vai acontecer agora!"
Ele saiu da própria terra, mas o ativismo nunca o abandonou. Há cinco anos, ele criou a organização América Diversa, cuja missão é ajudar LGBT migrantes.
Ele informa que a entidade, com atuação de 12 voluntários, atendeu a 800 pessoas ano passado em serviços tais como indicação a atendimento médico, locais de moradia, processo de migração, aulas de inglês, apresentação de Nova York e como funciona o sistema de transporte da cidade.
A falta de horizonte para mudança na Venezuela é manter vivo o que foi a realidade de Wendell, que está exilado há uma década. Na terra natal, ele já era ativista e liderava o coletivo Venezuela Diversa, que fechou há cerca de três anos.
"Eu sofria perseguição tanto do governo quanto de grupos criminais de apoio a Maduro. Lutar por LGBT era criticar o governo, e isso era visto como ataque ao poder central."
O cerco que Wendell vivia incluía até outros críticos à ditadura. "Muitos diziam que a prioridade tinha de ser lutar contra Maduro e não ficar na rua levantando bandeira arco-íris, falando de direitos LGBT."
Ao ser posto a ele o fato de Maduro não ter feito governo expressamente homofóbico, ele diz que a discriminação era dada de outra forma.
"Sim, não existiam falas públicas contra LGBT. O que acontecia era uma violência silienciosa."