Ambulante tenta defender morador de rua gay e morre espancado
Crime ocorreu dentro da estação Pedro II da linha Vermelha do metrô de São Paulo
Atualizado às 20h30.
Por solidariedade ao próximo, um ambulante morreu dentro da estação Pedro II, da linha 3-Vermelha do metrô de São Paulo, na noite do domingo 25.
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O vendedor Luiz Carlos Ruas, de 54 anos, trabalhava na entrada da estação quando dois homens começaram a agredir um morador de rua homossexual. Uma travesti tentou impedi-los e também passou a ser agredida.
Pelas câmeras dentro da estação do metrô, é possível ver a travesti fugindo dos agressores. O ambulante, na tentativa de defendê-los, é jogado no chão pelos homens e agredido com inúmeros chutes e socos.
Quando a esposa da vítima, Maria Aparecida Cavalcanti, chegou, o encontrou caído no chão, com o rosto desfigurado. Luiz Carlos foi levado ao Pronto Socorro Vergueiro, mas não resistiu aos ferimentos.
O vendedor era paranaense, estava em São Paulo há mais de 40 anos e há 20 anos trabalhava nas imediações da estação, que fica no bairro do Brás, na Zona Leste da cidade. "O mundo acabou para a família. Ele era a fortaleza, sustentava, ajudava todo mundo. Ele era muito conhecido aqui", lamentou a esposa à Rádio Bandeirantes.
A polícia identificou os criminosos. São os primos Alípio Rogério Belo dos Santos e Ricardo Nascimento Martins. Eles estão foragidos e devem se entregar na terça-feira 27.
Como foi identificado um soco inglês na posse de um deles e como os primeiros agredidos são LGBT, a hipótese é que a agressão inicial tenha sido motivada por homo e transfobia.
As primeiras informações apontavam que as primeiras vítimas de agressão dos dois homens eram dois homossexuais (ou até mesmo um casal gay) - a própria esposa do ambulante declarou que eram homossexuais. A polícia chegou a tratá-los ambos como travestis, mas reportagem da TV Globo esclareceu que se trata de um homossexual e uma travesti.
A ocorrência foi registrada primeiramente na Delegacia do Metrô (Delpom) e após a morte da vítima foi repassada para a Central de Flagrantes da Delegacia dos Jardins (78º DP). A investigação segue agora no Decradi - Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.



