Transmissão da Parada LGBT de SP da DiaTV: amontoado de erros
Emissora passou longe de mostrar a quem assistia a força e as mensagens do evento
Por Welton Trindade
Ao fim da maratona de seis horas do que foi chamado de transmissão oficial da 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo feita pela DiaTV, neste domingo 7, o dono da firma, Rafa Dias, disse ter sido uma grande alegria ter mostrado a marcha ao público que não participou da caminhada.
O fato, Rafa, é que há um má notícia aí: vocês não conseguiram fazer isso!
Parecia difícil a emissora errar a mão ao fazer praticamente a mesma empreitada que repete desde 2018, contar com 100 profissionais - conforme divulgado -, e ter apresentadores LGBT nada neófitos no ramo. Mas conseguiu-se essa proeza!
O primeiro erro do Parada SP Ao Vivo estava na concepção do que queriam fazer. Oras, o que foi vendido como transmissão e cobertura da marcha resultou em bate-papo tão importante quanto aleatório sobre HIV, arte drag queen, música, humor arco-íris e outings pessoais. Sério que essas conversas tinham de ser feitas durante a parada?
Algo que é chamado de cobertura e que se concentra mais no estúdio do que na rua, onde ocorria o leitmotiv da atração televisiva, é um disparate. E foi isso o oferecido ao público.
Veja como esse detalhe grita: cantores no estúdio se apresentavam enquanto os shows na parada eram ignorados! Enfim, projeto natimorto!
Como considerar o que foi mostrado como uma cobertura se em nenhum momento - sim, em nenhum momento -, se mostrou informações básicas tais como quais eram os trios elétricos, seus temas e todas atrações, se não transmitiu ao vivo todas as falas políticas da abertura do evento feitas por importantes ativistas e políticos LGBT, se se falava mais de look do que de voto consciente, enfim, tema da parada?
No mais, os erros técnicos se empilharam e eram amalgamados pela falta de conhecimento dos apresentadores.
Ao chamar pela primeira vez a fala ao vivo da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), na verdade foi mostrado que o cerimonial do trio elétrico convocava o vereador carioca Rick Azevedo (Psol) para discursar. Logo se cortou a transmissão.
No estúdio, os apresentadores trataram o acontecido como um erro. Não lembraram que Rick é o gerador da onda de luta pelo fim da escala de trabalho 6x1.
E, por que carga d'águas não deixar o público de casa ouvir a fala dele? E por que não transmitir o momento mais político e forte do evento: toda a uma hora de falas?
Depois, exibiu-se o discurso de Erika, mas desde um drone! Oras, cadê a câmera da transmissão oficial no trio oficial da organização da parada?
Em outro momento, chamou-se reportagem sobre acessibilidade, mostrou-se entrevista com zero aderência ao tema. Claro equívoco. Voltou-se para o estúdio... e nada foi dito. "Desculpa aí", seria o certo.
O segundo erro foi a falta de trato jornalístico no que era feito. Giovanna Heliodoro, que ficou em um terraço, mostrou que poderia ter feito um trabalho melhor, mas cadê informações e tempo para ela alcançar esse objetivo?
Os trios passavam, ela mostrava um ou outro, falava por alto sobre as atrações, não chegavam dados a ela sobre outros pontos da caminhada... E foi-se tocando a "transmissão".
Felipe Goldenboy (nervoso) e Duda Menegheti (simpática, mas não jornalista), que fizeram a vez de repórteres no chão, não conseguiram captar o mood da parada. E não só por culpa deles, mas por outra área com equívocos: a direção.
Entradas gravadas que contrastavam visualmente com o momento ao vivo da parada. Teve até o absurdo de mostrar à noite, no fim do programa, entrevista gravada ainda de dia e antes do evento engrenar!
Deu-se a entender que havia também problemas técnicos para boa captação de som e para o ao vivo.
E como explicar a baixa qualidade de imagem dos poucos shows que a DiaTV botou no ar? E não há como entender a razão de a equipe de câmera do canal não ter posição minimamente aceitável para poder botar o equipamento. Na captação do show de Pabllo Vittar, a nuca de um segurança foi coprotagonista!
Em tempo: a empresa do trio patrocinava a "transmissão". Pois é!
O erro chegou até ao gerador de caracteres. O presidente e a vice-presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, Nelson Matias e Claudia Regina, foram mostrados em gravação sem identificação.
Além de não ter sido informativa nem jornalística, a "transmissão" perdeu a chance de ser educativa, transformadora.
Oras, o tema da parada era o voto consciente. Cadê um bloco sobre o tema? Cadê chamado para as eleições em outubro? Explicação à audiência de como fazer o tema virar realidade? Quais as datas da votação e quais cargos estão em jogo?
O público, se quisesse saber, teria de desconsiderar a "transmissão" e jogar no Google. Quem fez isso saiu no lucro!
P.S.: o sofá era lindo!








