Mais de 100 pessoas foram detidas durante batida policial em clube LGBT de Baku, capital do Azerbaijão.
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Segundo a imprensa internacional, a notícia foi dada pela página local Qiy Vaar, voltada a direitos arco-íris no país.
Os detidos - 106 ao todo - foram levados a uma delegacia e deixados por longo período do lado de fora na noite do sábado 27 de dezembro.
A temperatura na cidade nesta época chega a cinco graus.
A página relata que uma mulher teve o cabelo cortado e outra pessoa sofreu fratura dentária durante a detenção.
Os policiais usaram "expressões humilhantes e ameaças" e exigiram subornos que chegavam à quantia de R$ 300.
“Há relatos de que também ocorreu um caso de violência sexual na delegacia”, apontou a página.
Os detidos foram ameaçados de serem levados a julgamento e submetidos a testes toxicológicos obrigatórios.
A página acrescentou que a polícia registrou os dados pessoais dos detidos, incluindo suas fotografias e impressões digitais.
"Instituições estatais realizam batidas planejadas e em massa, aproveitando-se da falta de proteção legal e institucional da comunidade LGBTQIA+”, escreveu o Qiy Vaar.
“Sabe-se de antemão que os mecanismos de defesa legal não funcionarão efetivamente e que as denúncias não resultarão em desfechos favoráveis ao cidadão”.
Em vídeo e de forma anônima, uma pessoa deu depoimento à pagina sobre a ação policial. Ela contou que os agentes a agrediram fisicamente, zombaram dela e a humilharam de diversas maneiras.
A pessoa relatou que a polícia obrigou um de seus amigos a urinar nas calças em frente à delegacia e que abusou de outro amigo que teve um ataque de pânico.
"Nos deram uma garrafa vazia e ordenaram que a enchêssemos com água do vaso sanitário e bebêssemos — todos os 106 [detidos]", continuou.
"Quando outra garota teve uma convulsão epiléptica, ela foi levada ao banheiro, gritaram com ela e disseram: 'Você não tem o direito de perder a consciência aqui'."
"Um dos meus amigos foi insultado por causa de sua orientação sexual e alguém urinou em sua cabeça", disse, acrescentando que a polícia também derramou um líquido no chão e usou o corpo de um detido para limpá-lo.
A pessoa disse que os detidos não tinham permissão para contatar suas famílias ou um advogado.
"Nossas famílias foram tratadas muito mal. Disseram a elas: 'Pegamos seus filhos em uma boate gay; eles estavam usando drogas e se comportando de maneira imoral'."
Ainda não está claro se algum dos detidos permanece sob custódia policial.
Baku tem cerca de 2,3 milhões de habitantes e é a maior cidade do país, que fica na fronteira entre Europa e Ásia, na região do Cáucaso, e de maioria muçulmana.
Ainda que a homossexualidade não seja legalmente crime, pessoas da comunidade LGBT enfrentam grande preconceito e raramente saem do armário.
Há violência partindo das próprias famílias e também da polícia. Não há proteção legal contra discriminação nem direitos como casamento.