ELEIÇÕES 2020
Informações para você e a comunidade LGBT votarem de forma consciente

LGBT falam do desafio de se candidatarem nas eleições 2020

O momento é de apresentar nomes às convenções partidárias. E o trabalho já começou

Publicado em 11/07/2020
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Monique Reis, Ítalo Alves, Baby Brasil, Rosy Silva, Bruno Maia e Gleyk Silveira: arco-íris nas urnas

Por Welton Trindade

Dentro da ideia de que representatividade importa, boa parte da comunidade arco-íris quer mais LGBT em cargos políticos. Esse é um lado da questão. O outro é de quem pretente se candidatar nas eleições municipais em novembro. Os desafios são grandes. A disposição, também. 

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A fase atual é de pré-candidatura. É, realmente, ser candidato a ser candidato. Mas o trabalho começou, como comprova a jornalista e travesti Monique Reis, 37 anos, que deseja a chance de disputar a prefeitura da cidade paulista de Taubaté pelo Psol.

Fala com a imprensa, posts em redes sociais, artes para divulgação e costuras políticas com máscara são realidade. E tudo de olho nos obstáculos. 

"Em Taubaté, Jair Bolsonaro teve 82% no segundo turno em 2018. E a prefeitura está nas mãos da mesma família há mais de 40 anos. Mas vamos enfrentar! E tudo agora com foco na convenção do partido. Mostrar que posso sim representar o Psol e fazer história."

O internacionalista e gay Ítalo Alves, 28 anos, de Fortaleza, objetiva ser vereador e é exemplo de que o caminho percorrido pode ser longo antes de submeter o nome à convenção partidária. 

"Em 2018, fui candidato a deputado federal e consegui 4.723 votos. Hoje, estou filiado ao PSB. Passamos os últimos dois anos atuando fortemente nas áreas de combate à pobreza, fiscalização do legislativo, representatividade jovem, direitos LGBTI e trabalhando também na Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado do Ceará."

A bacharel em Direito e ativista LGBT Rosy Silva, lésbica, 53 anos, é outra que se mostra motivada com a possibilidade de disputar a eleição e representar a periferia, as mulheres e LGBT na Câmara Municipal de Salvador.

É isso que ela vai levar à diretoria do PDT para conseguir seu número para a urna. 

"Não apareço nas comunidades agora. Sempre estive! Talvez seja esse um diferencial. Minha política sempre foi a de ajudar os companheiros de luta sejam eles das periferias ou fora delas."

Trajetória é também o trunfo que a drag queen Baby Brasil tem a mostrar ao PSDB para ter o direito de terminar o ano como vereadora do município goiano de Cidade Ocidental... Vereadora? Vereador? 

"A Baby Brasil tem 17 anos. Sempre com o objetivo de levar o melhor da arte drag. E farei uma campanha inovadora. Ela vai ser a candidata, mas eu, Henrique Sales, 33 anos, também vou estar na eleição", conta 

Brilhos à parte, há o desafio do dinheiro para custear a estrutura da campanha. "O partido confia muito em mim. E o prefeito e o vice-prefeito também. Vamos contar com a solidariedade e o apoio das pessoas, o que muitas vezes vale mais que dinheiro. De toda forma, sim, a questão financeira será algo a enfrentar."

A consciência de que é preciso luta está na mente do autônomo Gleyk Silveira, que lustra o sonho de ocupar cadeira no legislativo belo-horizontino pelo PSB. Mas não há ilusões. Além do dinheiro, o voto de LGBT serão pontos de conversas na sua empreitada eleitoral. 

"Uma candidatura LGBT enfrenta várias resistências, até mesmo dentro do próprio movimento LGBT, que apoia candidatos héteros. Vou dialogar com o partido para que parte do fundo eleitoral seja destinado aos nossos nomes. E vou contar com doação de apoiadores para poder fazer essa disputa junto aos grandes candidatos que possuem o capital financeiro."

Estratégia é algo que ocupa a cabeça do internacionalista Bruno Maia, gay de 39 anos. Depois de encontrar onde se escondia Fabrício Queiroz, motorista do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Maia colocou para si o objetivo de achar, agora, forma de ter seu assento como vereador paulistano pelo PDT. Dentre os caminhos possíveis, uma aposta para alavancar uma candidatura arco-íris. 

"Há muita raiva pairando no ar. Acho possível, e até desejável, que esse sentimento ruim seja usado como energia para criar algo positivo nessas eleições. Ajudar o campo progressista numa cidade da importância de São Paulo é nosso grande estímulo."


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