Lésbica vai à Justiça para conseguir usar banheiro em empresa

Funcionária da Makro, em Campinas (SP), disse que usa uniforme por cima da roupa e usa toalete de deficientes físicos

Publicado em 26/02/2019
Thais de Paula Cyriaco, funcionária lésbica processa a Makro
Thais de Paula Cyriaco acionou três empresas na Justiça

Uma auxiliar de limpeza precisou acionar a Justiça para poder usar o banheiro.

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A história parece insólita, mas ocorreu com Thais de Paula Cyriaco em Campinas (SP).

Thais, que é lésbica, foi impedida de usar o banheiro feminino no atacadista Makro depois que sua aparência incomodou uma funcionária em setembro de 2018.

"Querendo ou não, eu sou mulher. Independente da sua opção ou não, a gente é um ser humano normal e não deixa de ser o que a gente é. Eu sou mulher, independente do que for", contou Thais ao G1.

Thais, que trabalha como terceirizada, processou três empresas: aquela que a contratou, a Makro (onde trabalha) e a empresa da funcionária que reclamou por considerá-la homem.

A Justiça determinou que a partir desta terça-feira 26 Thais deve poder usar o banheiro feminino sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

Nos últimos meses, Thais passou a trabalhar com o uniforme sobre a roupa, sem ter lugar para se trocar. Quando precisa fazer necessidades, ela recorre ao banheiro externo, para deficientes, ou ao masculino, se estiver vazio.

Em nota, a Makro disse que tomou conhecimento do caso nesta segunda e está apurando o ocorrido. A empresa destacou que não admite qualquer discriminação ou preconceito.

A Elofort, terceirizada que contratou a auxiliar de limpeza, também disse repudir discriminação. Segundo a empresa, Thais teria afirmado, no momento do contrato, que gostaria de ser chamada de Thalison e que preferia usar o banheiro masculino.

E que a partir daí, funcionários passaram a tratá-la no masculino. Ainda de acordo com a Elofort, em nenhum momento ocorreu a proibição da empresa fundamentada na orientação sexual da funcionária.

Já a Aurora, que contratou a promotora de vendas que reclamou por Thais usar o banheiro feminino, disse desconhecer o caso e a liminar e, por isso, não pode se manifestar. A companhia, no entanto, destacou que repudia qualquer forma de discriminação.


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