Celebrando 23 anos da Cia Artera de Teatro, espetáculo Anywhere fala de homem que está preso em aeroporto em história baseada em relatos de refugiados e imigrantes LGBT.
O título – que pode ser traduzido como “em qualquer lugar” ou “em lugar algum” – aponta para um território de suspensão e não pertencimento.
No palco, um homem retido em um aeroporto, em qualquer parte do mundo, à espera de um documento, aguarda a definição de seu destino enquanto sua história se fragmenta e se reconstrói a partir de memórias próprias e de outros corpos em deslocamento.
Inspirada em entrevistas realizadas ao longo de uma extensa pesquisa, a peça articula experiências reais de perseguição, fuga e sobrevivência.
“Anywhere nasce de encontros. De escutas que não saem do corpo. Cada relato carregava mais do que uma história, carregava uma urgência. Uma vida interrompida. Um corpo em reconstrução”, afirma Ricardo Corrêa, que está sozinho em cena.
O artista mergulhou em testemunhos de pessoas LGBT de diferentes países, além de referências documentais e visuais sobre refúgio, para construir uma dramaturgia que se situa entre o íntimo e o político.
A encenação parte de um eixo central: a espera no aeroporto. As memórias atravessam a narrativa. Não é fragmentação, é deslocamento dentro de uma linha contínua.
No aeroporto, esse lugar onde tudo é vigiado, o personagem conta sua história enquanto a revive. Existir não é suficiente: é preciso provar, repetir e justificar.
"O espetáculo não é só sobre quem atravessa fronteiras geográficas. É sobre o que acontece quando o mundo inteiro se torna um lugar onde você não pode ficar. Sobre existir enquanto alguém decide se você pode existir”, completa Corrêa.
Criação, dramaturgia e interpretação: Ricardo Corrêa. Direção: Davi Reis. Desenho de luz: Fran Barros. Cenografia: Carlos Tibúrcio. Construção cenográfica: Matis Produções Artísticas. Trilha sonora original: Luis Paulo "Casca" e Rodolfo Bártolo. Criação de vídeos: Renato Grieco e Ricardo Corrêa. Figurino: Maitê Chasseraux. Operação de luz: Thauana Garcia. Operação de som, vdeos e fotos: Renato Grieco. Assessoria de imprensa: Nossa Senhora da Pauta. Coprodução: Cícero de Andrade (Mosaico Produções). Realização e produção: Cia Artera de Teatro. 70 minutos. Classificação: 16 anos.