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HIV e transexualidade são discutidos em 'Desmesura', que estreia em SP

Espetáculo do Teatro Kunyn faz temporada no Centro Cultural São Paulo

Publicado em 04/05/2017
Espetáculo Desmesura fala de HIV e transexualidade no Centro Cultural São Paulo
'Desmesura' é inspirado na vida do escritor argentino Copi, vítima da aids

Inspirada livremente na vida do escritor argentino Raul Taborda Damonte, o Copi, a peça Desmesura estreia nesta sexta-feira 5 no Centro Cultural São Paulo.

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No palco, a montagem do grupo Teatro Kunyn, levanta questões como discussão de gênero e HIV - o artista morreu em 1987 por complicações da aids.

O diretor Luiz Fernando Marques explica que a montagem não tem compromisso com a biografia de Copi, mas, sim, com as questões que as obras do autor argentino abordam.

"Copi autoficcionalizava o tempo inteiro. Suas obras são uma mistura de ficção e realidade", diz. "Por isso optamos em trazer para o palco o encontro dele com seus delírios. Ou seriam lembranças?", provoca Marques.

Já o dramaturgo e ator Ronaldo Serruya conta que a ideia foi produzir, no que diz respeito ao discurso sobre a epidemia de aids e sobre pessoas vivendo com HIV, uma reflexão não historicista, mas que estivesse em plena consonância com a realidade.

"A dramaturgia atual sobre a aids é muito carente. Procurei, então, escrever um espetáculo que fizesse refletir o estigma social que ainda ronda os portadores do vírus e construir uma narrativa que dê conta de falar sobre o tema sob a perspectiva da vida, e não da morte. A mesma coisa se deu em relação à transexualidade. Pensar esse assunto hoje implica discutirmos lugar de fala, protagonismos e invisibilidade. Dar voz a corpos que trazem neles mesmos o discurso de sua luta", diz o autor.

"A obra de Copi é povoada de personagens que explodem a definição estacionária de gênero, em suas fábulas delirantes, o sexo é apenas um estar fluido, em trânsito, onde passamos de um lugar à outro pelo simples desejo de passar", explica Serruya. "Ora, há uma provocação aí, inclusive num momento em que conceitos como lugar de fala e representatividade ainda estavam por nascer. Suas personagens mudam de sexo, várias vezes, transitam entre o 'ser homem' e o 'ser mulher', talvez pra escancarar que o 'entre' pode não ser assim, um problema."

O espetáculo faz temporada de sexta a domingo até 11 de junho. Mais informações você tem em nossa Agenda clicando aqui.


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