No próximo domingo 15 se realiza a 98ª entrega dos prêmios Oscar e pelo quarto ano seguido nenhum longa indicado a melhor filme fala sobre homossexualidade masculina.
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O mais próximo que se tem deste tema nesta edição é Blue Moon, de Richard Linklater, indicado a ator (Ethan Hawke) e roteiro original.
A produção tem foco no compositor Lorenz Hart (1895-1943), que escreveu famosas canções para musicais da Broadway e tinha fama de ser homossexual enrustido.
Mas o Oscar já celebrou muito mais a comunidade gay, ainda que de forma enviesada em algumas vezes e perpassando morte e violência em outras tantas.
Veja 10 filmes com protagonistas gays que disputaram a estatueta de melhor filme no prêmio mais famoso do cinema:
Perdidos na Noite (1969)
Este é um caso polêmico. Críticos não chegam a um acordo se é um filme que fala de homofobia ou se é uma produção homofóbica.
O longa de John Schlesinger - que se assumiu gay durante as filmagens - trata de um prostituto, Joe Buck, que sai com mulheres ricas e também homens.
Ele se torna amigo de Ratso, que tem problemas de saúde e uma paixão platônica por Joe. O próprio michê também parece lutar contra uma homofobia internalizada.
Bastante depressivo às vezes, contundente, explícito e violento (há espancamento de um homem gay por Joe), o longa é o único proibido a menores de idade que conquistou o Oscar de melhor filme até hoje.
Também ganhou estatuetas de direção e roteiro adaptado e recebeu dupla indicação a melhor ator (Jon Voight e Dustin Hoffman), além de atriz coadjuvante (Sylvia Miles) e edição.
O Fiel Camareiro (1983)
Este longa que fala do universo teatral é baseado nas experiências do próprio autor (Ronald Harwood) quando foi camareiro do ator shakesperiano Sir Donald Wolfit.
Na tela, vemos a relação simbiótica entre Sir (Albert Finney) e Norman (Tom Courtenay), durante apresentações de um grupo de teatro por cidades britânicas em meio à Segunda Guerra Mundial.
Enquanto o primeiro é um ator de temperamento cruel e enfrenta a decrepitude, o segundo é a pessoa quem o faz ainda continuar de pé e apaixonado pelo patrão.
Recebeu cinco indicações ao Oscar: filme, direção (Peter Yates), ator (Finney e Courtenay) e roteiro adaptado.
O Beijo da Mulher-Aranha (1985)
Passada em São Paulo, essa produção hollywoodiana dirigida pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco tem Sônia Braga no elenco.
A história se desenrola durante a Ditadura Militar, em uma penitenciária, onde um prisioneiro político de esquerda, Valentín (Raul Julia), divide a cela com um vitrinista preso por corrupção de menores, Molina (William Hurt).
Uma amizade se desenvolve entre os dois e enquanto cura as feridas dos espancamentos sofridos por Valentín, Molina o entretém contando roteiros de filmes da era de ouro do cinema.
Apaixonado pelo companheiro de cela, Molina é pressionado pela polícia a passar informações sobre os revolucionários em troca de liberdade condicional.
Longa deu o Oscar de melhor ator a William Hurt e concorreu a melhor filme, direção e roteiro adaptado.
O Segredo de Brokeback Mountain (2005)
Passaram-se 20 anos até um novo filme com história gay chegar à categoria principal.
Aqui, tem-se o romance dos cowboys Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhaal) enquanto passam um verão tomando conta de um rebanho de ovelhas na Brokeback Mountain.
Quando a função termina, eles seguem caminhos diferentes e ambos se casam com mulheres e têm filhos.
Mas o amor entre eles segue latente e os dois se reveem anos depois. Eles voltam a ter encontros e planejam um futuro juntos, mas o medo fala mais alto e a história tem fim trágico.
Favorito dos críticos e das premiações daquela temporada, O Segredo de Brokeback Mountain perdeu Oscar de melhor filme, o que fez a situação entrar para a história como uma possível homofobia dos votantes da Academia.
O longa faturou estatuetas de direção (Ang Lee), roteiro adaptado e trilha sonora, além de ter sido indicado a filme, ator (Ledger), ator coadjuvante (Gyllenhaal), atriz coadjuvante (Michelle Williams) e fotografia.
Milk: A Voz da Igualdade (2008)
A trajetória de Harvey Milk, primeiro homossexual declarado a ocupar um cargo público no Estado da Califórnia, é o foco do longa de Gus Van Sant, prestigiado diretor abertamente gay.
Passado nos anos 1970, o filme mistura a liberdade sexual da época com a busca por direitos homossexuais, que ainda engatinhava.
Após derrotado duas vezes para cargo de supervisor municipal, Milk finalmente se elege e luta para derrubar a Proposição 6, que tentava proibir gays e lésbicas de trabalharem em escolas públicas da Califórnia.
Um dos outros supervisores, Dan White, propõe aliança a Milk para apoio de projetos de interesses de ambos, mas depois se sente traído pelo ativista gay. Após renunciar ao cargo, ele tenta recuperá-lo e não consegue e invade a prefeitura e mata o prefeito de San Francisco e também Milk.
Venceu como melhor ator (Sean Penn) e roteiro original e foi indicado a filme, direção, ator coadjuvante (Josh Brolin), edição, figurino e trilha sonora.
O Jogo da Imitação (2014)
Longa conta história do matemático britânico Alan Turing que liderou equipe que tentava quebrar códigos criptografados alemães durante a Segunda Guerra Mundial.
Ele pede uma das colegas em casamento, mas mais tarde revela que é homossexual. No início dos anos 1950, após fim da guerra, ele é condenado por atentado ao pudor (por causa de sua sexualidade), obrigado a se submeter a castração química e se suicida.
Estima-se que a quebra de códigos efetuada por ele encurtou a guerra em dois anos e poupou 14 milhões de vida.
O Jogo da Imitação venceu Oscar de roteiro adaptado e concorreu a outros sete: filme, direção (Morten Tyldum), ator (Benedict Cumberbatch), atriz coadjuvante (Keira Knightley), edição, design de produção e trilha sonora.
Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016)
O filme conta em três fases momentos da vida do jovem Chiron: sua infância, adolescência e ele como jovem adulto.
Em Miami, o garoto cresce em meio a tráfico de drogas e uma mãe abusiva e dependende química. Na escola, enfrenta bullying e violência enquanto se descobre gay.
Foi o primeiro - e único até hoje - longa abertamente gay a ganhar o Oscar de melhor filme.
A produção faturou também as estatuetas de melhor ator coadjuvante (Mahershala Ali) e roteiro adaptado, além de ser indicada a direção (Barry Jenkins), atriz coadjuvante (Naomie Harris), fotografia, edição e trilha sonora.
Me Chame pelo Seu Nome (2017)
Filme que consagrou o diretor italiano Luca Guadagnino - que é abertamente gay - é baseado em romance aclamado de André Aciman, lançado em 2007, e tem roteiro de James Ivory.
No verão de 1983, os pais do adolescente Elio, de 17 anos, convidam um estudante de pós-graduação de 24 anos, Oliver, para passar férias com a família.
Os dois começam a fazer várias atividades juntos até que o garoto se declara ao mais velho. Eles têm encontros românticos e transam, mas o verão acaba e se separam.
Ainda que ambos pareçam ser bissexuais, é a paixão gay que move a história.
Vencedor de melhor roteito adaptado no Oscar e indicado a filme, ator (Timothée Chalamet) e canção original.
Green Book: O Guia (2018)
Comédia dramática ambientada nos anos 1960 fala de um pianista, Don Shirley, que contrata um motorista, Tony Lip, para levá-lo em sua turnê de dois meses pelo sul dos Estados Unidos.
A diferença social entre ambos gera atritos, mas a amizade começa a nascer.
Em uma época com bastante segregação racial, Tony passa a se indignar com o tratamento e a violência que Don recebe.
Ainda que o foco do longa seja a questão racial, Don é gay, o que faz traz mais um elemento ao personagem e o faz figurar na lista.
Green Book ganhou como melhor filme, ator coadjuvante (novamente, Mahershala Ali) e roteiro original e foi indicado a melhor ator (Viggo Mortensen).
Ataque dos Cães (2021)
O grande favorito da crítica de 2021, Ataque dos Cães mostra dois irmãos proprietários de um rancho no Estado de Montana, George e Phil.
Quando George se casa com Rose, Phil não esconde que a menospreza e também maltrata o filho dela, o jovem Peter.
Solitário e gay, Peter é ridicularizado por quase todos e trama uma vingança contra o cruel Phil.
Filme gay mais indicado ao Oscar em seus quase 100 anos, o longa recebeu apenas a estatueta de melhor direção (Jane Campion). Concorreu em outras 11 categorias: filme, ator (Benedict Cumberbatch), ator coadjuvante (Jesse Plemons e Kodi Smit-McPhee), atriz coadjuvante (Kirsten Dunst), roteiro adaptado, edição, fotografia, design de produção, trilha sonora e som.