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Questão de gêneros é o foco de 'Maria que Virou Jonas', em cartaz em SP

Espetáculo da Cia. Livre é baseado em obra do filósofo francês Montaigne, escrita no século XVI

Publicado em 26/02/2015
Espetáculo propõe jogo de metateatro: uma peça dentro de outra
Espetáculo propõe jogo de metateatro: uma peça dentro de outra

A questão de gêneros ganha cada vez mais relevância nas artes, mas não é de hoje que ela desperta interesse. No século XVI, o filosófo francês Michel de Montaigne escreveu sobre uma certa Marie que se transformou em Germain e a história ressurge, agora, trazida para contemporaneidade, no espetáculo Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação.

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Após produzir o ciclo Leituras Transvestidas, com textos da dramaturgia universal sobre identidade de gênero, a Cia. Livre interessou-se pela obra de Montaigne, chamada Da Força da Imaginação,que foi recontada, em 1945, pelo historiador e sexólogo Thomas Laqueur no livro Inventando o Sexo, no qual discute as construções culturais que entendemos como sexo ou como verdades biológicas.

Com texto de Cássio Pires, escrito especialmente para a companhia, o espetáculo enfoca o tema das identidades móveis, novas configurações para a questão do gênero e os intersexos. A pesquisa de um ano, que resultou na peça, culmina com a apresentação do espetáculo inédito, que foi contemplado pela 24ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Em cena, é usado o jogo do metateatro, ou seja, uma peça dentro da peça. As personagens são os atores transexuais Neo Maria (Lúcia Romano) e Jonas Couto (Edgar Castro), que estão montando "A Força da Imaginação". Questionando o que se entende por identidade, o público escolhe qual papel os atores da peça vão viver a cada sessão, Ele ou Ela?. 

"A peça de Cássio Pires apresenta um jogo de transformação muito claro, mesmo abordando o problema complexo das identidades", diz Castro. "Ao lado dela e dialogando com a narrativa, criamos cenas de camarim que levantam questões contemporâneas sobre a experiência de homens e mulheres em torno do gênero e sexo".

Lúcia ressalta que “a Cia. Livre parte do entendimento de que não existe alinhamento entre gênero, identidade, opção sexual e comportamento sexual. Esse alinhamento não deveria ser tomado como natural". A diretora do espetáculo, Cibele Forjaz, completa: "Eu posso ser uma mulher que escolhe ser ou viver como homem e que namora uma mulher. Ou um homem. E essa é uma mudança social e cultural que precisa ser tratada pelo teatro, onde a questão da representação é central".

A peça está em cartaz no Sesc Belenzinho de quinta a domingo até 15 de março. Mais informações você tem em nossa Agenda.

 


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