O espetáculo utiliza a estética do cabaré clássico – com referências a produções como Chicago e Cabaret – para abordar as dores e resistências de corpos marginalizados.
A narrativa é conduzida por Madame, uma figura enigmática que convida o público a um "tribunal inverso", no qual os pecados capitais servem de espelho para as contradições da sociedade.
As cenas mergulham em temas densos, como a invisibilidade bissexual, a violência transfóbica – personificada na homenagem à artista Gisberta – e os abusos sofridos por mulheres, transformando o trauma em potência cênica e libertação.
A trilha sonora, com direção musical de Samir Alves, inclui desde versões de Maria Bethânia, Kate Bush e Madonna até canções originais, como Dinheiro, Poder e Sexo, composta e produzida por Bruno Raza, que critica a mercantilização da fé e dos corpos.
A escolha do Bar Queen reforça o caráter imersivo da obra. Ao transformar o bar em palco, o espetáculo quebra a "quarta parede", permitindo que o público participe ativamente da jornada, borrando as fronteiras entre espectador e personagem.
Cabaré Profano celebra o direito de existir, de viver com intensidade, liberdade e verdade, transformando o palco em um espaço de resistência e reflexão, onde cada pecado e desejo se torna oportunidade de autoconhecimento. É uma celebração da existência em um mundo que, muitas vezes, ainda empurra essas histórias para os porões da alma.
Texto: Criação coletiva. Direção: Dário Varaschin. Direção musical: Samir Alves. Produção musical e composição da música Dinheiro, Poder e Sexo: Bruno Raza.
Com Christian Otero, Dário Varaschin, Davi Jackues, Elix, João Victor Ponge, Mariana Moretti, Rodrigo Delcolli, Samir Alves e Vanessa Manga. 60 minutos. Classificação: 16 anos.