Livremente inspirado em Querelle, de Jean Genet, Tenente Seblon acompanha a trajetória de um tenente, comandante de um navio, que fica ancorado no porto francês de Toulon, durante uma semana.
Ele é um oficial que demonstra ternura inesperada pela sua tripulação e desenvolve uma paixão platônica pelo marinheiro Michel. Envolto em uma relação complexa e solitária com os seus desejos, Seblon tem o hábito de registrar confidências em seu gravador, pelo qual tenta driblar a ambiguidade de sua sexualidade e de seu comportamento, mas revela involuntariamente uma feminilidade contida.
O ponto de virada ocorre quando esse gravador é roubado e passa a circular nas mãos de um estranho. Sendo chantageado pelo estivador César, o tenente se lança num jogo de sedução e tensão crescentes.
Ao mesmo tempo, um legionário assassinado na cidade e uma invasão seguida de roubo de expressiva quantia a bordo do navio adicionam camadas de drama e suspense à narrativa.
Com desdobramentos inesperados, um triângulo amoroso é formado com final surpreendente. O navio vai zarpar. Quem segue com eles?
Nota: Em tempo de liberdade vigiada, o espetáculo discute a necessidade de se vestir uma armadura como disfarce, criando um personagem aceitável socialmente, para se sobreviver debaixo dela. A proposta da peça é refletir sobre a construção de identidade e os mecanismos de defesa adotados para se adequar socialmente.
Texto e direção: Francis Meyer. Com Vinícius Moizés, Rafael Braga, Moisés Ribeiro, Izzac Henrique e Pedro Lessa. Cenografia e iluminação: Riiko Coutinho. Figurinos trilha sonora: Francis Meyer. 75 minutos. Classificação: 18 anos.