Eddy - Violência e Metamorfose
Espetáculo celebra 10 anos da companhia Polifônica ao adaptar obra do escritor francês Édouard Louis.
A peça gira em torno de um episódio real vivido pelo autor, representado aqui por João Côrtes, no Natal de 2012, em Paris. Após um jantar com amigos, ao voltar para casa, Édouard é abordado por um jovem de origem argelina, Redá, personagem de Erom Cordeiro e, então, seguem para o apartamento do escritor.
Mas, após uma noite de amor, na manhã seguinte, Édouard é violentado por este homem e quase assassinado. O episódio traumático, elaborado na obra História da Violência, dá início a uma jornada reflexiva e de elaboração a respeito das estruturas sociais que viabilizam a produção, a reprodução e a circulação da violência em nossas sociedades.
Um ano após o terrível episódio, após lidar com uma série de procedimentos médicos, policiais e jurídicos relacionados ao caso, Édouard inicia uma viagem de retorno à sua cidade natal, hospeda-se na casa da sua irmã, Clara, vivida por Julia Lund, e é a partir deste reencontro que inicia-se um jogo de relatos, de narrativas e de representações que reconstituem e investigam o ocorrido naquela noite, em que vêm à tona uma pluralidade de questionamentos e de reflexões acerca do machismo, do racismo e da homofobia enraizadas na nossa sociedade.
Ao longo do espetáculo, a narrativa de História da Violência também é atravessada por trechos de O Fim de Eddy e culmina na recriação de fragmentos de Mudar: Método, obra em que Édouard reconta sua trajetória de emancipação social e intelectual, desde a saída da sua cidade natal, Hallencourt, até a sua chegada e estabelecimento em Paris.
"Eu me identifico em muitos lugares com a trajetória do Édouard Louis. Como homem gay, também conheço esse lugar de lidar com a violência, a insegurança, a autoaceitação, e o desejo de ser amado. A peça aborda esses temas de forma muito eloquente, profunda e simbólica. Está sendo um processo sensível e detalhista. Na verdade, estou interpretando uma mistura de alterego, uma versão teatral dele, e o próprio Édouard. É uma responsabilidade muito grande, porque tenho consciência da importância dele para a literatura mundial. Mas Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky são diretores que admiro demais e a nossa troca é incrível", conta João.
Dramaturgia e direção: Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky.
Com João Côrtes, Julia Lund e Erom Cordeiro.
Direção de movimento: Lavínia Bizzotto.
Preparação corporal: Alexandre Maia.
Cenografia: André Sanches.
Assistente de Cenografia: Débora Cancio e Nicole Suzana Santos da Silva.
Direção de tecnologia e iluminação: Julio Parente (Para Raio).
Figurino: Antônio Guedes.
Assistência de figurino: Mari Ribeiro.
Criação de vídeo: Daniel Wierman.
Trilha sonora: Luiz Felipe Reis.
Direção musical: Carol Mathias.
Produção musical: Pedro Sodré.
Duração: 110 minutos.
Classificação: 18 anos.








