Primavera Cega é um solo teatral autoficcional criado e interpretado por Igor Iatcekiw e que investiga o machismo como estrutura que sustenta e legitima a homofobia, moldando afetos e identidades no ambiente familiar e social.
A partir da relação entre uma mãe e um filho, a obra revela como essas violências operam de forma íntima e cotidiana, gerando violência, distanciamentos, rupturas e apagamentos.
Em cena, memórias fragmentadas expõem o impacto dessas experiências na construção subjetiva e nas formas de pertencimento. A presença do Alzheimer amplia a dimensão do esquecimento, tensionando a narrativa entre memória e desaparecimento.
O espetáculo articula diferentes camadas de apagamento — social, afetivo e neurológico — e questiona o que permanece quando tudo parece se perder. Entre lembranças reais e inventadas, Primavera Cega constrói uma dramaturgia sensível e contundente, onde passado e presente se entrelaçam. Com encenação intimista, o solo aposta na palavra, no corpo e na atmosfera para transformar a experiência pessoal em gesto poético e político.
Concepção, dramaturgia e atuação: Igor Iatcekiw. Direção: Alejandra Sampaio e Malú Bazán. Provocação dramatúrgica: Dênio Maués e Kiko Marques. Figurino: Marcelo Leão. Design de luz: Adriana Dham. Trilha sonora: Bruno Menegatti. Produção: Marcelo Chaffim. Operação: Adriana Dham e Luiz Sás. Identidade visual: Cristina Cavalcanti / Jiboia Estúdio. Idealização: Igor Iatcekiw, Alejandra Sampaio e Malú Bazán. Parceria artística: Associação Cultural Zona Franca. Apoio cultural: Alvenaria Espaço Cultural. 80 minutos. Classificação: 14 anos.
Espaço teatral é aberto às 18h e após a sessão o bar fica aberto com petiscos e drinks.