Presas denunciam que algumas das detentas da Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), conhecida pelo nome de Colmeia, no Distrito Federal, que se identificam como transexuais são, na verdade, homens cisgênero.
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Essa situação é mostrada por reportagem do portal Metrópoles, que exibiu cartas escritas pelas presas nas quais afirmam que homens se autointitulam trans para ter um "ambiente carcerário melhor".
Dados da Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) revelam que em 2023 eram 19 pessoas que se diziam trans no presidío. Em setembro de 2025, o número saltou para 86. Ao todo, 644 mulheres cumprem pena no local.
A publicação aponta que 85 das 86 mulheres trans presas ali fizeram autodeclaração de "identidade feminina" após início do processo judicial. Isso significa, que elas foram presas inicialmente em presídio masculino e que depois migraram para a Colmeia.
O portal afirma que "entre os homens transferidos como mulheres trans, figuram pessoas ligadas a facções criminosas temidas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Comboio do Cão (CDC)".
Desse grupo, 11 pessoas foram condenadas por homicídio qualificado, 11 por estupro de vulnerável, cinco por estupro comum e seis por latrocínio, dentre outros crimes.
Em cartas, as detentas acusam pessoas que se identificam como trans de várias irregularidades, tais como assédio, prática de sexo a olhos vistos com detentas que são de fato transexuais e simulação de lesões e tentativas de suicídio para acusar policiais de transfobia e conquistar benefícios.
“Uma interna trans estava me olhando com a mão dentro da calça, massageando seu órgão sexual… Elas fazem ‘estoques’ [de armas artesanais] para nos intimidar. Antes de elas chegarem, eu nunca tinha tocado a sirene. Hoje, é quase todo dia”, relatou uma policial, em depoimento anônimo, à reportagem.
Por causa da diferença de força física em relação às mulheres cisgênero, policiais afirmam que as contenções são mais perigosas e que precisam em 100% das vezes pedir apoio de policiais homens, o que contraria a legislação que prevê polícia exclusivamente feminina em presídios femininos.
A Vara de Execuções Penais (VEP), que é quem autoriza as transferências para a penitenciária, se pronunciou em nota.
“Como em qualquer política pública, podem ocorrer casos de abuso de direito, inconsistências ou eventual falseamento de informações pessoais. Para essas situações, o sistema prisional e a VEP dispõem de fluxo de verificação consolidado e amplamente divulgado às equipes técnicas, que inclui análise documental, escuta qualificada e avaliação multidisciplinar. Quando necessário, as medidas são revistas com atuação pontual caso a caso”, disse.